Há quatro anos, no início de 2010 eu abri a minha conta em uma corretora de investimentos, Com a conta aberta, eu fiz o meu cadastro no Tesouro Direto e comprei a minha primeira letra.

A  letra que eu comprei  era uma LTN (prefixada)  que vencia no inicio 2012 e tinha uma remuneração de aproximadamente 11,8% ao ano.

Para quem estava investindo em poupança e previdência privada, ver o dinheiro render algo próximo do 1% ao mês era algo e tanto!

E o melhor, eu gostava de investir em algo que tinha a certeza de quanto iria ganhar. E por fim acabei percebendo que tive sorte e azar ao mesmo tempo!

Em 2010 a presidente Dilma foi eleita, e ela promoveu uma alta na taxa de juros, pequena, e manteve-a até meados de 2012 quando começou a reduzir a Selic.

Durante esse período, eu acabei fazendo a coisa certa sem saber. A estratégia mais correta com os títulos públicos é que você compre prefixado (LTN) quando a taxa de juro começar a cair.

Eu não entendia a curva de juro e nem imaginava que isso existia. Ao analisar as minhas letras prefixadas, eu identifiquei que as mesmas geravam boa remuneração.

Quando o Banco Central subiu levemente a Selic, a curva de juros não alterou muito minha remuneração, sendo assim, não percebi que no curto prazo isso influenciava o valor do principal da letra.

Quando a taxa de juros começou a cair, os meus investimentos em letras prefixadas começaram a mostrar uma alta significativa do valor principal. Isso aconteceu porque a curva de juros beneficiou títulos que foram comprados com juro mais alto.

Nesse período, eu até percebi que estava com letras bem mais valorizadas que o normal, mas acabei não me questionando.

Continuei comprando as letras, até chegar em 2013, quando comecei a comprar letras com taxas prefixadas a 9% ao ano e posteriormente cheguei a comprar letras prefixadas a 7% ao ano aproximadamente.

Em minha cabeça eu estava fazendo um ótimo negócio. Confesso que ainda nessa época eu tive um pouco de sorte porque eu acabei vendendo letras com um bom valor e comprando cotas de Fundos Imobiliários (estava bem empolgado com os FII na época).

Mas mesmo assim fiquei posicionado em letras prefixadas a 7% ao ano.

No final do mesmo ano, comecei a presenciar a alta dos juros, e reparei que minhas letras não valorizavam, e sim estavam derretendo!

A princípio pensei que fosse alguma correção e depois ela subiria novamente. Mas eu percebi que as letras começaram a cair muito, então entrei em contato com o meu corretor.

O corretor me informou da burrada que eu fiz e de como funcionava as letras do Tesouro: o certo em momentos de queda da taxa de juros é você se abrigar em NTN-B (IPCA + juros prefixados) e as LFT que são indexadas a taxa SELIC

Não invista em prefixadas como eu fiz, pois a curva de juros não beneficia mais essas letras.

Quando existe uma tendência que o juro suba, o principal da letra perde valor.

É lógico que no final do período você ganha o seu dinheiro mais os juros prefixados, porém quem vai querer ficar com uma letra que vai pagar 7% ao ano sendo que a Selic estava na casa dos 9%?

O pior é que eu não sabia se a Selic poderia subir mais. Resumindo; Eu admiti o erro e acabei vendo aquilo como um custo de aprendizado. Vendi minhas letras prefixadas, e compre só LFT.

Depois desse aprendizado acabei percebendo que fatores econômicos e os investimentos estão fortemente atrelados.

Indicadores como inflação e juros, são muitos importantes, e devem ser acompanhados pelos investidores. Esses indicadores acabam influenciando de maneira direta os nossos investimentos.

 

 

 

 

 

 

 

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