Com a alta da Selic e um cenário mais desafiador à frente, os fundos imobiliários estão se desvalorizando em 2024. Assim, como eu posso reduzir os riscos associados aos Fundos Imobiliários?

Existem algumas estratégias que podem ser colocadas em prática para mitigar os riscos envolvidos no investimento em fundos imobiliários. 

Assim, vamos analisar a seguir, duas dessas estratégias que podem ser adotadas pelos investidores. Veja mais. 

Invista os rendimentos na renda fixa

Tendo em vista que a esmagadora maioria dos fundos imobiliários faz distribuições mensais, o investidor pode recolher esses pagamentos e investi-los em produtos de renda fixa.

Desse modo, ao invés de comprar mais cotas de fundos imobiliários, o investidor pode aplicar os proventos recebidos pelos FII’s, em produtos de renda fixa. 

Nesse sentido, o investidor preserva os proventos recebidos e ainda ganha dinheiro com os juros.

Para demonstrar como esta estratégia pode ser benéfica ao investidor, vamos simular a estratégia envolvendo as cotas do fundo imobiliário DEVA11. 

Exemplo DEVA11.

Escolhemos DEVA11, porque nos últimos meses, esse foi um dos FIIs que mais se desvalorizou no mercado. Em meados de novembro de 2020, DEVA11 era negociado próximo dos R$ 157,00 a cota, sendo que hoje, o valor da cota não chega aos R$ 36,00, representando uma perda superior aos 75%. 

Então, para o nosso exemplo, vamos considerar que o investidor já utiliza a estratégia de investir os proventos na renda fixa desde sempre.

Dessa maneira, ao comprar as cotas de DEVA11, em novembro de 2020, o investidor desembolsou um total de R$ 14.700,00 para adquirir 100 cotas  (R$ 147,00 por cota).

Portanto, de novembro de 2020 a setembro de 2024, o investidor recebeu as distribuições do FII e aplicou os valores em um produto de renda fixa com rendimentos equivalentes a 100% do CDI. 

Assim, ao final de setembro de 2024, o investidor teria acumulado um montante de R$ 6.127,67 aplicado na renda fixa

Dessa maneira, o valor final da carteira do investidor seria de R$ 9.715,67 (Valor na renda fixa: R$ 6.127,67 mais os R$ 3.588,00 referentes às cotas de DEVA11). Portanto, ao invés de ter um prejuízo superior a 75%, o investidor teria perdas de 33,91%. 

No exemplo seguinte, vamos analisar a situação, se o investidor tivesse dois fundos em carteira. Os fundos no caso seriam: DEVA11 e BCFF11. 

DEVA11 + BCFF11

Neste exemplo vamos considerar o mesmo período de tempo e o mesmo valor de R$ 14.700,00. Contudo, o valor será dividido entre os dois FIIs. 

Sendo assim, a carteira do investidor ganhará vida a partir de novembro de 2020, acumulando as distribuições até setembro de 2024. 

Destacando que em meados de novembro de 2020, as cotas de BCFF11 eram negociadas a partir de R$ 11,25. Agora o fundo é vendido próximo dos R$ 7,60. 

Sob esta nova perspectiva, o investidor acumularia na renda fixa um patrimônio de R$ 5.578,21. Já o valor da posição nos fundos, estaria em 6.903,00. Somando os valores, o investidor teria um total de R$ 12.481,21, gerando uma desvalorização de 15,09% aproximadamente. 

Portanto, com duas medidas (diversificar e investir os proventos na renda fixa), o investidor poderia mitigar grande parte dos prejuízos referentes à desvalorização de DEVA11.

Porém, se o investidor aplicasse os R$ 14.700,00 em três diferentes investimentos, ampliando a diversificação, qual seria o resultado? 

Dividindo o patrimônio entre 3 investimentos

No último exemplo, vamos supor que o investidor tenha aplicado ⅓ dos R$ 14.700,00 em BCFF11, ⅓ em DEVA11 e ⅓ em um produto de renda fixa com rendimentos de 100% do CDI. 

Assim, ao alocar os R$ 14.700,00 em três diferentes investimentos, o resultado final melhora consideravelmente. 

Mesmo tendo perdas superiores a 75% com DEVA11, o investidor ainda conquistaria um ganho de R$ 604,71 através da carteira com os três ativos. Desse modo, o valor final da carteira ficaria em R$ 15.304,71.

Resumo

Observando todos os cenários, fica claro que a melhor opção, seria simplesmente investir somente na renda fixa e reduzir os riscos ao máximo.

Contudo, o investimento em fundos imobiliários oferece a vantagem dos proventos mensais. As distribuições mensais, isentas de imposto de renda, não podem ser desconsideradas. 

Através dos proventos recebidos, o investidor pode utilizar os recursos para comprar mais cotas de FIIs, ou investir em produtos de renda fixa. Há também, como utilizar tais recursos para financiar suas despesas mensais. Enfim, os rendimentos mensais dos FIIs, surgem como uma nova fonte de renda para o investidor. 

Porém, o investidor precisa ter em mente, que as perdas ocorridas em DEVA11, podem se repetir em qualquer fundo. 

Desse modo, é importante tomar algumas iniciativas para proteger a carteira, como investir os proventos em produtos de renda fixa e diversificar o portfólio de forma inteligente.

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