Considerando o aumento frequente das expectativas com relação à inflação e observando o descontrole das contas públicas, somado ao desarranjo cambial, o BC subiu em 0,5 pontos a taxa de juro. 

Agora, a Selic está em 11,25% ao ano. Após um aumento de 0,25 pontos na penúltima reunião, o COPOM resolveu elevar a taxa em 0,5 pontos.

Assim, veja a seguir quais serão os possíveis impactos com o aumento da taxa de juro.

Dívida pública cada vez mais cara

A alta da Selic não vai encarecer somente as linhas de crédito para os brasileiros, mas também, a dívida pública. 

Nesse sentido, o governo terá que pagar mais juros para pegar “emprestado” o dinheiro de investidores. Estima-se que em 2023, o Brasil pagou mais de 614 bilhões em juros da dívida pública. Se o PIB em 2023 foi de R$ 10,9 trilhões, então os juros da dívida pública representavam 5,63% do PIB.

Menos dinheiro circulando

Ao subir os juros, a ideia principal está associada em inibir o investimento e a captação de crédito. 

Como a Selic está mais alta, as pessoas físicas e jurídicas tendem a reduzir os empréstimos e financiamentos. Da mesma forma que o consumo tende a cair, já que as empresas possivelmente reduziram seus investimentos, diminuindo a oferta de emprego.

Desse modo, o juro alto ajuda a reduzir o ímpeto econômico, levando à redução da inflação. Ou seja, com mais juros, menos consumo, logo há queda ou estabilidade dos preços.

Mais pessoas poupando

A Selic mais alta também serve como incentivo para as pessoas pouparem mais. Com a Selic em 11,25% ao ano, um investimento de R$ 1 mil em um CDB que paga 100% do CDI, pode render, em um ano, algo próximo de R$ 112,50 (sem contar a retenção de IR). Portanto, ao invés de gastar o dinheiro, empresas e pessoas, pensam em poupar o capital e aproveitar a taxa de juro. 

A Selic alta favorece quem?

O Banco Central vê que a inflação não está convergindo para a meta de 4,5% para 2024. Nesse sentido, o COPOM crê que a alta da Selic se faz necessária, já que as expectativas futuras para a inflação, também não estão colaborando.

Por exemplo, no Boletim Focus desta semana, a projeção para o IPCA em 2024 é de 4,59%. Já para 2025, a projeção é de 4,03%. Sendo que em 2025, a meta para o IPCA é de 3%. Então, em 2025 já existe uma expectativa de inflação fora da meta.

Dessa maneira, não resta muitas alternativas ao BC, senão, subir a taxa de juro.

Assim, a Selic alta favorece os investidores que buscam aplicações mais seguras, em troca de rendimentos vinculados ao CDI, ou à Selic. Outro favorecido com a alta da Selic, é o Real, já que a medida de aumentar os juros, visa proteger o poder de compra dos brasileiros. 

O que fazer?

Para os investidores, este é um momento de aproveitar a renda fixa pós-fixada. Investimentos como o Tesouro Selic, CDBs, LCIs, e LCAs, pós-fixados, estão se tornando cada vez mais interessantes.

Mesmo com uma inflação mais alta e com taxas pré-fixadas bem atraentes, tais títulos, ainda devem ser avaliados com cautela. Já que as expectativas do mercado são para uma Selic chegando até 11,75% ainda em 2024. 

Investimentos em renda variável, como em ações, ETFs e fundos imobiliários, podem ser uma boa, uma vez que há diversos ativos “baratos”. 

Caso o cenário piore ainda mais, seria interessante averiguar a possibilidade de investir um pedaço do capital em ativos do exterior, como ETFs, ou BDRs. 

Já escrevi um artigo apontando os ótimos resultados gerados pelo ETF IVVB11. Sendo que do dia da publicação do artigo, até agora, o ETF já se valorizou em mais de 2,20%. 

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