Em 2025 estamos acompanhando um movimento bastante estranho e pouco usual para o mercado brasileiro.

O dólar está desvalorizando, a Selic está em 15% ao ano, uma taxa extremamente elevada, Ibovespa subindo mais de 21% e o ouro crescendo mais de 40%.

Se a renda fixa e a renda variável costuma ter movimentações inversas, porque todo o mercado, menos o dólar está em alta? Vamos analisar esses pontos a seguir:

Dólar em queda

Só em 2025 a moeda norte-americana está depreciando mais de 14%, mas porque tal movimentação ocorre, se os Estados Unidos possuem uma taxa de juro elevada? Inclusive o S&P 500, o principal índice da bolsa norte-americana , também está em alta neste ano.

Portanto, a princípio, há uma movimentação grande do mercado por lá, favorecendo a valorização do dólar. Então porque ainda assim, a moeda norte-americana cai por aqui?

Existem alguns fatores que podem influenciar nessa valorização do Real, dentre eles podemos citar a expectativa de afrouxamento da política de juros nos Estados Unidos. Querendo ou não, há uma pressão grande para a queda dos juros, sendo que ela já ocorreu na última reunião do FED, onde houve o corte de 0,25 pontos.

A redução do Risco Brasil é outro ponto que pode ser mencionado. Por exemplo, quando a guerra entre Rússia e Ucrânia eclodiu, o Risco Brasil chegou a 228 pontos, sendo que no dia 19 de setembro de 2025, a pontuação alcançou um dos níveis mais baixos, de 126 pontos.

Somado a isso, há também a expectativa que a Selic permaneça mais tempo em 15% ao ano, favorecendo o investimento de curto prazo estrangeiro no Brasil. Normalmente esse tipo de investimento ocorre com o objetivo de aproveitar as altas taxas de juros.

Além disso, existe também certa incerteza sobre as políticas econômicas dos Estados Unidos.  Como a estratégia norte-americana mudou em comparação aos governos anteriores, o mercado também está se acostumando com as novas tendências.

Selic em 15% a ano

A taxa de juro está assim, tão elevada devido à pressão inflacionária de alguns itens que compõem o IPCA.

Dentre esses itens, destacamos os preços dos serviços. São esses preços que, por vezes, provocam a alta inflacionária.

Salientando que o centro da meta para a inflação, atualmente é de 3% ao ano, com uma banda de 1,5% para mais, ou para menos.

Segundo o último Boletim Focus, de 12 de setembro, a expectativa para o IPCA em 2025 é de 4,83%, portanto, mesmo com uma taxa de juro tão elevada, a inflação ainda deverá ficar acima da meta. Em resumo, o Banco Central tem motivos para permanecer com o juro onde está.

Ibovespa subindo mais de 21%

Aqui eu vejo uma surpresa positiva. A bolsa brasileira está subindo mais de 21% em 2025. Observando toda volatilidade do mercado e a Selic em 15%, eu não acreditava que poderia haver espaço para a valorização do Ibovespa. Contudo, o mercado está reagindo positivamente, mas por quê? Dentre os principais motivos temos:

O “tarifaço” acabou não sendo tão prejudicial ao Brasil; Apesar do Brasil ter sofrido com uma das maiores taxas aplicadas pelos Estados Unidos, chegando a casa de 50%, a totalidade de produtos prejudicados com essa política não foi tão ampla como se imaginava no início. Desse modo, o mercado enxerga que a situação tinha tudo para ser muito pior do que acabou sendo. Portanto, aqui temos um fator positivo para o movimento de alta do Ibovespa.

Há uma percepção que dentro dos BRICS, o Brasil é um dos países mais estáveis; Os embates econômicos entre a China e os Estados Unidos, a guerra envolvendo Rússia e Ucrânia e as dificuldades econômicas da África Do Sul estão favorecendo a visibilidade do Brasil perante aos investidores. Assim é natural que haja mais procura por ativos brasileiros, como as ações.

Corte de juros no futuro; Aparentemente o juro alcançou o seu pico, em 15% ao ano. Sendo assim, há um consenso que os próximos passos do BC podem ser de afrouxamento da política monetária. Nesse sentido, aqueles que estiverem posicionados em bolsa agora poderão colher os frutos no futuro.

Eleições em 2026; Por fim, vale mencionar as eleições presidenciais de 2026. Existe uma expectativa que um político mais amigável ao mercado seja eleito. Desse modo, caso isso ocorra, a bolsa poderá manter sua valorização por mais tempo.

Ouro se mantém como um dos ativos mais valorizados dos últimos anos

Em paralelo a todos esses ativos, continuamos a enxergar a evolução do preço do ouro. Por exemplo, nos últimos 5 anos, o ouro se valorizou em mais de 87%. Você já pensou em investir em um ativo e após três anos, praticamente dobrar o valor investido? Pois é, é isso que está ocorrendo com o metal precioso. Mas porque, apesar da valorização do S&P 500 e do Ibovespa, além de outras bolsas, o ouro (que é um ativo considerado “defensivo”, amplamente utilizado em crises) está se valorizando?

Aversão ao risco; Um dos principais motivos, se não o mais central, está relacionado ao risco que os investidores enxergam neste momento.

Com a nova política econômica empregada pelos Estados Unidos, vários investidores estão com dificuldades em projetar quais serão os resultados. Assim, mesmo que a bolsa esteja em alta e a renda fixa norte-americana também esteja em alta, observando a atual taxa de juro de 4,25%, muitos investidores encontram no ouro, uma forma de defender seus patrimônios de eventuais volatilidades.

Conclusão

Normalmente, quando presenciamos a alta das bolsas de valores, isso quer dizer que a renda fixa está deixando de ser atraente e outros ativos mais defensivos, como o ouro também.

Porém, o momento não é este. Na verdade, na minha opinião, o momento é “novo” e atípico. Estamos presenciando uma política econômica dos Estados Unidos bem diferente em comparação a outros governos anteriores.

Sendo assim, é muito difícil prever se tudo vai dar certo. Desse modo, o ouro que é um ativo defensivo continua a se valorizar, mesmo que as bolsas mostrem certo otimismo.

Em resumo, para nós investidores, o momento é de cautela e muito estudo. Acompanhar o mercado é muito importante, mas com cautela em dobro.

*Atenção: Esse artigo não representa de qualquer forma uma indicação de investimento. Se o leitor investir em qualquer ativo citado aqui, ou não, fará esse investimento por conta em risco. A Oliver Investimentos como o autor deste artigo se isentam de qualquer responsabilidade.  

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